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Câncer de pele ainda é o mais frequente no Brasil - 15/04/2016


O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) calcula que, este ano no Brasil, o câncer de pele do tipo não melanoma será o de maior incidência. Esse é também o tipo de câncer mais frequente em todo o mundo, disse o coordenador da Campanha Nacional de Combate ao Câncer de Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Emerson Vasconcelos de Andrade Lima. 

Segundo o médico, “a pele está exposta ao sol, e este é o principal fator determinante do desenvolvimento do câncer de pele, principalmente do carcinoma basocelular”. Outros tipos de câncer de pele são o carcinoma espinocelular e o melanoma maligno. Para o especialista, a melhor maneira de evitar o câncer de pele é prevenir. “Prevenção é a base”. A postura recomendada é fotoprotetora. Além de usar filtros solares, é preciso evitar a exposição ao sol nos horários de maior incidência de radiação ultravioleta B e A.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia sugere também medidas de fotoproteção física, que incluem o uso de bonés, chapéus e óculos de sol.

Segundo o dermatologista, o filtro solar é obrigatório em crianças a partir de 6 meses de idade, e deve ser reaplicado, independentemente da estação do ano e do tipo de pele. Ele descartou a crença de que pessoas mais morenas, em função da presença de melanina, estejam protegidas de ter câncer de pele. “Não é isso que se observa”, ressaltou Lima. Ele admitiu que os indivíduos mais morenos têm menor chance de se queimar ou de o bronzeamento provocar bolhas. Mesmo assim, há necessidade de uso do filtro solar, qualquer que seja a cor da pele, acrescentou.

O indivíduo branco tem tendência maior a desenvolver câncer de pele, porque não tem melanina – pigmento da pele funciona como barreira, reduzindo a incidência da radiação solar. Lima salientou, entretanto, que o efeito é somatório. “Independente[mente] de ser branco, moreno ou negro, você tem a chance de desenvolver câncer de pele. O passar dos anos é que vai determinar isso”. Como a taxa de longevidade é alta, atualmente, aumentam também as probabilidades de câncer de pele, “porque esse efeito é somatório”, insistiu.

Atividades esportivas, banhos de piscina, idas à praia ou a feiras livres, e até mesmo a ida ao trabalho, no dia a dia, ao sol, deixam a pessoa exposta à radiação ultravioleta. “E esse efeito somatório, durante anos, favorece o desencadeamento. Temos visto o aparecimento de câncer de pele mais precoce do que antigamente”, destacou.

O dermatologista advertiu que a camada de ozônio, em função da emissão de gases poluentes e das mudanças climáticas, está cada vez mais tênue, facilitando a incidência crescente de radiação ultravioleta nas pessoas. Como os indivíduos continuam a se expor ao sol de maneira extrema, o receio é que a taxa desse tipo de tumor continue a aumentar. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o aparecimento de pintas escuras ou manchas na pele e a presença de lesões que não cicatrizam podem ser sinal de melanoma maligno e devem levar a pessoa a procurar um especialista.

O carcinoma basocelular, mais comum e com relação mais estreita com a radiação ultravioleta, apresenta-se em geral sob a forma de caroços que sangram com facilidade e aparecem em áreas expostas, como a face, dorso, tórax, braços, pernas, couro cabeludo, lábios e orelhas dos homens. Essas lesões, quando identificadas, devem ser removidas o mais precocemente possível.

Autor: Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Abr

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