Consumo de cigarro aumenta na pandemia e preocupa especialistas

31 de maio de 20217380
O Dia Mundial Sem Tabaco – 31 de maio – foi criado em 1987 pela Organização Mundial da Saúde (OMS)

Os reflexos da pandemia da Covid-19 na saúde mental trazem desdobramentos importantes que vêm sendo apontados em diversos estudos no país e no mundo. Uma pesquisa recente divulgada pela Fiocruz revela que 34% dos fumantes brasileiros aumentaram a quantidade de cigarros consumidos neste período.
Segundo o pneumologista do Hospital São Camilo, Dr. Celso Padovesi, o cenário preocupa devido a vários aspectos da saúde geral. “Além de todos os riscos que o cigarro traz para a saúde física, sendo um fator agravante para inúmeras doenças, incluindo a Covid-19, o aumento de seu uso tem relação direta com o comprometimento da saúde mental dos fumantes.”
O estudo indica ainda que os tabagistas entrevistados também apresentam deterioração da qualidade do sono e alegam ter agravados os sintomas de tristeza, irritação e sentimento de solidão.
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil conta com 22 milhões de fumantes. Estima-se, ainda, que mais de 157 mil pessoas morrem todos os anos por doenças associadas ao tabagismo.
“Pessoas que fumam ficam doentes com mais frequência em relação aos não fumantes, e o risco aumenta conforme a quantidade de cigarros e o tempo exposto ao vício”, ressalta a Dra. Beatriz, cirurgiã de cabeça e pescoço do Hospital São Camilo Oncologia, reforçando que o cigarro tem relação direta com o surgimento e o agravamento de diversos tipos de câncer.
Ela alerta que não é somente o câncer de pulmão que está diretamente associado à exposição ao cigarro. “Mais de 90% dos portadores dos cânceres de cavidade oral, incluindo a língua, garganta e esôfago são ou foram expostos ao tabagismo, com potencialização do risco de seu desenvolvimento à associação do consumo de bebidas alcóolicas em quantidades excessivas.”
A médica destaca ainda que, em geral, ao fumar, todo esse revestimento está exposto aos efeitos cancerígenos do tabaco, não sendo incomum o desenvolvimento de tumores em mais de uma região. Além disso, o tabagismo também eleva em três vezes o risco de desenvolvimento do câncer de bexiga.
O pneumologista, ressalta ainda, sua associação com o envelhecimento precoce da pele, o acometimento da saúde dos dentes, o surgimento de halitose (mau hálito), o espessamento das pregas vocais com consequente rouquidão e potencialização dos sintomas de refluxo gastroesofágico, entre outros.
Como parar de fumar?
O pneumologista explica também que o coração do ex-fumante pode ter melhora significativa de função com o avanço dos anos longe do cigarro. “Uma pessoa que deixou de fumar há 15 anos tem os mesmos riscos de sofrer um infarto do que aquelas que nunca fumaram.”
Além de frisar os importantes benefícios conquistados a cada dia sem fumar, os médicos recomendam algumas medidas simples que podem ajudar o fumante a reduzir a quantidade de cigarros e, até mesmo, parar completamente. Confira:
Torne o momento de fumar menos confortável;
Faça pequenas mudanças na rotina:
Segundo a Dra. Beatriz, novos hábitos podem construir uma relação mais saudável com o corpo, reduzindo a procura pelo vício do cigarro. “O fumante tem costumes rotineiros e tende a fumar sempre nos mesmos momentos do dia, nos mesmos lugares e da mesma forma”, destaca.
Assim, a dica da médica é inserir novas atividades na rotina, com ações que mudem o ritmo usual e ocupem a mente. Faça substituições e coloque metas, como exercícios físicos e a progressão desses, sempre sob orientação profissional. Cultive outros hábitos saudáveis, como o consumo moderado de álcool e a redução da ingestão de alimentos industrializados e multiprocessados.
“Todo o processo deve ser encarado como a adoção de um novo conjunto de hábitos, visando uma melhor qualidade de vida física e mental e com foco no longo prazo.”
Vá aos poucos:
Embora a decisão de parar de fumar precise ser definitiva, os fumantes que tiveram aumento no número de cigarros podem enfrentar picos de ansiedade e estresse durante essa tentativa. A sugestão dos especialistas é criar um cronograma de redução de cigarros/dia, sempre seguindo as dicas anteriores para ajudar no processo.
Atrase o primeiro cigarro:
A ideia é adiar o primeiro cigarro do dia em uma hora progressivamente ao longo dos dias. “É importante que a pessoa estabeleça um prazo nesta etapa para que, ao final deste período, consiga parar por completo”, explica a cirurgiã.
Procure apoio multiprofissional:
“O suporte psicológico e social, através de grupos de apoio, por exemplo, tem efeitos muito positivos na luta contra o vício e atuam, sobretudo, com atenção à saúde mental do paciente, fundamental para parar de fumar”, finaliza o pneumologista.

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Alexandre Bueno

Jornalista/Editor Geral


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