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Em São Paulo, diferentes tribos indígenas viviam às margens dos rios Tamanduateí (Rio dos Tamanduás Verdadeiros), Anhembi (Rio dos Nhambús), e seus diversos ribeirões, antes da colonização portuguesa que foi responsável pela dizimação de dezenas de tribos de diferentes etnias, em nossa região.

Mas o que restou desses povos primitivos?

Se antes pouco sabíamos sobre os índios que viviam na região da antiga Freguesia da Penha de França e outras pequenas vilas, como o Tatuapé, Cangaíva, Jaguaporeruba e São Miguel de Ururaí, com o resgate histórico do bairro Cangaíva pela historiadora Adriana Lopes, podemos hoje afirmar que um dos raros vestígios que permaneceu foi o batismo dado aos espaços geográficos pelos índios.

A historiadora Adriana Lopes, pesquisadora da região, explica que “com a extinção de diversas tribos de diferentes etnias e com a urbanização da cidade que finalizou o processo de transfiguração das antigas matas, um dos raros vestígios da contribuição indígena na cidade está no batismo dos nomes dados aos espaços para que os índios pudessem se localizar na mata, batismo esse que, por alguma razão, em algumas regiões, não foi “cristianizado” ou alterado pelos antigos proprietários dos loteamentos urbanos, como é o caso na zona leste dos bairros de São Miguel, nome dado pelos jesuítas, N. Sra. da Penha de França, nome dado por colonizadores, ou Ermelino Matarazzo, que teve o batismo indígena, Jaguaporeruba, alterado, pela presença de imigrantes italianos.”

Continua que esse fato por si só é questão de mais buscas, por que os batismos indígenas de Cangaíva (lugar na mata cheio de frutas), Tatuapé (caminho do tatu), Aricanduva (lugar de palmeiras airi), Iguatemi (rio das canoas emproadas), Itaquera (pedra dura), Jacuí (rio dos jacus) e Guaianá ( tribo indígena do Tronco Macro Fê- Guaianazes) sobreviveram aos colonizadores, aos primeiros habitantes do século XIX, à imigração e a transformação das antigas chácaras em loteamentos urbanos?

Brasões e Bandeiras
Adriana Lopes, exibe a bandeira do Cangaíva no gabinete em Brasília, da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial

A historiadora que buscou, nos brasões e bandeiras dos bairros da leste, incluir elementos indígenas e cores que recordem o passado, diz que o conhecimento é importante para todos os moradores, mas que a educação é fundamental para a reflexão do agosto indígena, ensinando aos alunos sobre os índios que viveram em nossa região, apresentando a eles uma história mais próxima da realidade, como os Guaianá que viveram às margens do Tiquatira, sensibilizando-os para o respeito à cultura e à contribuição destes povos que hoje, infelizmente, se tornaram sombra do passado.

“Um rosto para Piquerobi” – quadro que o Artista Plástico, Alex King, presenteou a historiadora Adriana Lopes

 

 

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No último dia 12, a historiadora Adriana Lopes foi recebida no gabinete da Secretária Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, a Índia Sandra Terena, a primeira jornalista indígena do país. A reunião também teve a presença da Diretora Substituta do Departamento de Promoção da Igualdade Racial e Étnica para Povos e Comunidades Tradicionais, Arlene Moraes, o que comprova a seriedade e a importância das fontes históricas datadas do século XIX que estão permitindo reescrever a história do bairro. O projeto também conta com o apoio da Subprefeitura da Penha e do Instituto Histórico e Geográfico do Estado de São Paulo, tendo como representante o Historiador Indígena Mestre Robson Miguel.
A historiadora diz que uma palavra resume a agenda com a Sra. Secretária, “emoção! O encontro com alguém sensível à causa indígena, pesquisadora, escritora e consciente da importância da Lei 11.645/08 que propõe o resgate da contribuição dos povos indígenas na formação da sociedade nacional é avançar no diálogo do respeito à história e à memória indígena em nosso bairro e algumas fases do projeto necessitarão de vontade política para dar sentido às pesquisas e levar o conhecimento aos habitantes da região”.
O Projeto do resgate histórico tem várias fases, desde a publicação do livro “Cangaíva, terra entre rios: dos Guainá de Ururaí a um bairro”, a retificação do nome e apresentação da sua correta tradução como um “lugar na mata com frutas” e não “dor de cabeça” ou “cabeça ruim” como é propagado em dezenas de sites e jornais, buscando parceria com a Secretaria da Educação até o lançamento de uma pedra fundamental no Parque Linear Tiquatira em homenagem ao Cacique Piquerobi, defensor das terras de Ururaí que iam de São Miguel à Penha de França, abrangendo as terras do Cangaíva, um espaço de reflexão e visitação sobre os heróis anônimos, defensores de nossas terras.

Adriana Lopes, historiadora da Zona Leste/SP exibe a bandeira do Cangaíva no gabinete em Brasília

Adriana, que já havia apresentado as quatro bandeiras dos Distritos da Penha de França ao prefeito Bruno Covas, presenteou a Sra. Secretária com a bandeira do Cangaíba, explicando que no brasão há os três importantes elementos que compõem a formação da história nacional do Brasil Colônia, a flecha indígena, a espada dos bandeirantes portugueses e o símbolo adinkra africano.
A historiadora agradeceu a atenção e o respeito com a história secular do Cangaíva e o tratamento dispensado por toda a equipe do gabinete, assim como agradeceu a equipe do Dep. Federal Vanderley Macris que a acolheu durante a viagem.
Os cangaivenses aguardam ansiosos o resultado dessa inédita visita à capital do país!



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